Quinta-feira, 5 de Agosto de 2010

Balsamão

Banhado a sul pelo rio Azibo, afluente do Sabor, que é atravessado por uma pequena ponte românica, a norte, pela Ribeira da veiga, é servido pela EM "João Paulo II", que liga Chacim com as povoações de Paradinha de Besteiros, Sobreda e Morais.

Com uma altitude de 522m, "o pequeno monte" é carinhosamente aconchegado pelas abas dos montes e outeiros das ditas povoações e ainda dos Olmos, Lagoa e Lombo e vigiado ao longe pela Serra de Bornes, também conhecida por "Monte Mel", em cujas faldas se situa a povoação de Malta, outrora propriedade da célebre Ordem Militar dos cavaleiros do mesmo nome, que também terá dado valioso contributo na construção de Balsamão.

O Santuário de Nª. S. de Balsmão assente as suas raízes, possivelmente, nos tempos da Reconquista Cristã, ainda que a primeira data histórica até agora conhecida seja o ano de 1212. Chamava-se em tempos "Monte Carrascal". Aqui se instalaram os Mouros donde subjugavam os Cristãos com pesados impostos, entre os quais figurava o vergonhoso Tributo das donzelas (consistia em que a noiva vinha passar a noite de núpcias no castelo, com o Emir, chefe dos Mouros).

Um dia, realiza-se um casamento em Crasto, a uns 15 Km de distância. Ao sair da Igreja, a noiva é raptada para o castelo, o que aliás era já costume na maioria dos casamentos. Mas, desta vez, a luta já estava planeada para se libertarem de tamanha injúria.

Assim, os homens e os jovens, às ordens do noivo (filho do chefe dos Cavaleiros das Esporas Douradas da vila de Alfândega), partem para o sopé da montanha, gritando: "Queremos ver a cara do mouro". Em Casa, as esposas, as donzelas e as crianças rezam fervosamente a Nª. S. pelo feliz sucesso da peleja.

O Emir escarnece. Envia-lhes um rídiculo punhado de guerreiros, mas logo se vê obrigado a reforçá-los. Aluta torna-se renhida de parte a parte. Os cristãos batem-se com bravura; mas, tendo pouca resistência, vão desfalecendo. Senão quando, notam no campo uma Senhora, vestida de enfermeira, chegada misteriosamente, alimpar as feridas, depondo nelas um pouco de bálsamo, e desaparecendo em seguida. Convencidos de que era a Mãe de deus, atiram-se confiantes, obrigando o Emir a enviar para o campo o último reduto de homens, ficando desprotegido. As armas tinem até que se ouve o grito "Vitória, vitória!", vindo das muralhas. É dos Cavaleiros das Esporas Douradas da vila de Alfândega que tinham subido pela outra encosta: haviam decapitado o Emir e salvo a noiva. Os mouros dão logo às-de-vila-Diogo, perseguidos por um grupo de cristãos, enquanto os outros sobem ao castelo e purificam a mesquita. Durante toda a noite festejam o triunfo. Celebra-se Missa na Capela em honra de Nossa Senhora do Bálsamo na Mão. E desde esse dia nunca mais cessaram as romagens ao Santuário da Defensora da Honra do Lar, da Padroeira dos Noivos, da Divina Enfermeira.

A vila de "Crasto", pela vitória alcançada, fica a chamar-se Crastro "Vencente", hoje, Castro Vicente; a de Alfândega, pelo testemunho de fé, Alfândega da Fé, cujas autoridades levavam sempre nas procissões o estandarte; e a vila a que pertence o monte "carrascal", em virtude da chacina havida, fica a chamar-se Chacim.

 

 

 

publicado por Trasmontesdepaisagens às 00:30

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1 comentário:
De O Cavaleiro de Monforte a 5 de Agosto de 2010 às 05:08
Uma linda história, sim, senhor!
E muito bem contada!
Agora é pegar nela e pô-la a levedar com um pouco mais de imaginação.

Ai! Os nossos (meus) antepassados de "esporas douradas" sempre eram cá uns Cavaleiros!...


O Cavaleiro de Monforte

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