Segunda-feira, 17 de Janeiro de 2011

Alheiras de Trás-os-Montes

Segundo o famoso Francisco Manuel Alves, o Abade de Baçal, a necessidade ajuda ao engenho, e fruto da perseguição que eram permanentemente alvo pela Inquisição, os judeus, “…não podendo estes comer carne de porco por imposição da sua fé, imaginaram um enchido, que, embora semelhante aos enchidos que por essa época eram o prato forte das gentes, não levasse a carne proibida.” O Abade de Baçal chegou a designar a alheira como o chouriço judeu. Manuel Mendes, chamando-lhe chouriça da resistência, vem também referir a origem da alheira no século XV, produto da necessidade de judeus e cristãos novos fingirem consumir um enchido, mas sem carne de porco. A alheira conteria várias carnes incluindo muita caça. Aliás hoje em dia produzem-se alheiras, também, só de caça.
Esta ideia de associar o aparecimento da alheira aos judeus fixados próximo da zona raiana, para facilmente fugirem para Espanha, parece querer justificar a prática da alheira mais ajustada à terra fria transmontana. Durante os finais do século XV e princípios do século XVI, ser-lhes-ia permitido atravessar as fronteiras em sentido da perseguição de que seriam alvo, tendo as coroas, portuguesa e espanhola, toleradas as infiltrações. Os judeus eram trabalhadores, detentores de fortuna e comerciantes necessários.
Mas durante quanto tempo a alheira foi confeccionada sem carne de porco? A partir de quando iniciaram a introdução da carne de porco? Não dispomos de registos. No entanto, o meu amigo e conterrâneo Armando Fernandes prometeu para breve uma nova teoria para esclarecimento, ou maiores dúvidas, sobre a história da alheira. Será que nos vai convencer da lenda da alheira?

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publicado por Trasmontesdepaisagens às 07:51

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