Terça-feira, 16 de Fevereiro de 2010

Pombal (Podence)

 

 

Na região Nordeste do nosso país concentra-se o núcleo mais representativo dessas construções, ainda que haja pombais dispersos por todo o país, nomeadamente na Beira Baixa, na Estremadura e no Alentejo. Os pombais do Nordeste caracterizam-se essencialmente pela uniformidade arquitectónica, com uma configuração inconfundível, até no contexto mundial, que se pode descrever pela sua planta circular ou semi-circular, grossas paredes sempre construídas em pedra, estucadas e caiadas de branco, uma única porta de entrada e saídas de voo em plano superior em geral associadas a patamares lajeados, cobertura em madeira, com uma ou duas águas ou cónica, coberto com telha cerâmica ou placas de ardósia. 

Essas semelhanças têm origem no facto da comunidade rural desta região ocupar um espaço ecológico comum, que corresponde fundamentalmente à porção média da Bacia do Douro, zona de transição entre Meseta Ibérica e a costa Atlântica. Nos relevos ondulantes e vales encaixados formados pelo Douro e seus maiores afluentes (Sabor, Tua, Côa, Águeda), abaixo dos 1000 m, onde se faz sentir o microclima duriense, os terrenos pobres de xisto e granito são palco, desde há muito, de 4 culturas agrícolas dominantes, os cereais, a vinha, o olival e as hortas. É precisamente associado a esse cenário físico e socioeconómico que surgiram a partir de inícios do século XIX e até meados do XX, os cerca de 3500 pombais do Nordeste, que denominamos como pombais tradicionais.

 

publicado por Trasmontesdepaisagens às 12:29

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Domingo, 14 de Fevereiro de 2010

Máscaras de Trás-os-Montes (Carnaval)

 

 

Estamos em Trás-os-Montes, no nordeste do Portugal peninsular. O manto do Inverno cobre os campos, de onde se espera que venha a brotar, de novo, a vida. É o fim de um ciclo para a comunidade. O tempo não evolui em linha recta, deu uma volta completa sobre si mesmo, e há que recomeçar tudo de novo. Os assuntos por resolver, no ciclo que finda, têm de ser concluídos, e a vida da comunidade refundada. As máscaras fazem a sua aparição, cumprindo os seus preceitos antigos de rito social e agrário. Elas reinstalam o caos primordial, de onde é possível inaugurar um novo tempo. São os Caretos, o Carocho, o Chocalheiro, o Velho, das festas de Dezembro e de Janeiro, mas também os Caretos e Caretas de Fevereiro, que celebram o Carnaval. Há comportamentos bizarros, carregados de simbologia sexual: os Caretos que perseguem as raparigas, batendo-lhes com bexigas de porco cheias de ar, ou fazendo balançar grossas fieiras de chocalhos contra o seu corpo, num misto de abraço e de agressão. Mas há também, tanto em Dezembro como em Fevereiro, a crónica dos acontecimentos protagonizados por elementos da comunidade no ciclo que findou, lidos por Caretos ou pelos Mordomos da festa, como acontece em Lazarim e acontecia em Aveleda, e que chegam mesmo a ser teatralizados, como sucede em Varge.
Instrumentos para a convocação das forças primordiais e infra-humanas do espaço mítico da aldeia, da procura da alteridade, da inversão e crítica das identidades e dos comportamentos sociais, e parceiras das crónicas narradas em verso, em todo o caso as máscaras, objectos que encerram um tremendo, misterioso e fascinante poder, nada escondem, e tudo revelam.

 

 

 

Ainda resistem em Portugal algumas celebrações do Entrudo que mantêm a sua singularidade, de acordo com as nossas tradições. Em Trás-os-Montes contam-se pelo menos três: Lazarim, Vinhais e Podence.

 

A acção dos diabos de Vinhais já não produz hoje os efeitos temidos de outrora, quando as raparigas não se atreviam a sair à rua. O ritual de punição e correrias pelas ruas da vila é hoje uma manifestação tímida e cada vez mais incerta, com não mais do que uma dezena de mascarados.

Mas, em Podence, pequena aldeia situada a poucos quilometros de Macedo de Cavaleiros, a tradição está de boa saúde e conserva ainda uma boa parte da licenciosidade «selvagem» que sempre a caracterizou.

 

publicado por Trasmontesdepaisagens às 11:30

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