Não são barracas, são construções de arquitetura vernácula e classificados como Palheiros na literatura científica da especialidade.
As escavações e outros estudos colaterais, interdisciplinares, revelaram um importante Monumento Pétreo Calcolítico, bem como um Povoado muito original da Idade do Ferro.
Há a considerar então dois tipos de ocupação e duas comunidades distintas temporalmente: as comunidades Calcolíticas e as comunidades da Idade do Ferro.
Comunidades Calcolíticas
Durante o 3º milénio antes de Cristo o maciço quartzítico foi sendo transformado arquitectonicamente pelas populações pré-históricas num mega-monumento pétreo. Este monumento, com 2,5 ha de área é a mais imponente construção pétrea pré-histórica conhecida a N do rio Douro. Exigiu um investimento e uma manutenção contínuas por parte das comunidades agrícolas e pastoris daquela região durante cerca de 600 anos (2900 e 2300 a.C.) período após o qual foi intencionalmente selado de modo absoluto.
Que sabemos destas comunidades agrícolas e pastoris?
Tratava-se de populações, ditas neolíticas, que ainda utilizavam alguns dólmenes regionais como local de guarda dos ancestrais, dólmenes esses que foram sendo abandonados durante a construção e uso do Crasto. É o caso do dólmen do Castelo em Murça, do dólmen da Fonte Coberta em Chã (Alijó), ou do dólmen de Arcã, em Abreiro (Mirandela). Estas comunidades possuíam alguns povoados feitos de materiais perecíveis. Conhecem-se os povoados de Estirada e Salto em Noura (Murça); de Mãe d'Água na Serra de Passos/Sta Comba e Fraga dos Corvos ou Navalho, em Navalho, ambos em Mirandela. São ainda essas populações responsáveis pela criação de "santuários" com pintura rupestre na Serra de Passos/Sta Comba e com gravuras por todo este o território, onde cabe destacar o conjunto rupestre de Lampaça (Valpaços).
Durante todo o período de vigência do Crasto como centro polarizador da vida política, social e religiosa regional por excelência, foi complementarmente transformado o vizinho abrigo do Buraco da Pala (Serra de Passos - Mirandela) num local de armazenamento, de consumo ritual e de destruição intencional de inusitadas quantidades de produtos oriundos da agricultura (trigo, cevada, fava, ervilha, lentilha) e da recolecção (bolota). Esta espécie de "potlach" no abrigo do Buraco da Pala, bem como o investimento realizado no Crasto de Palheiros dizem-nos que estas comunidades funcionavam segundo uma lógica que nos é estranha na actualidade: a do envolvimento e grande investimento colectivo no sentido de manter a unidade política e as estruturas sociais vigentes entre comunidades regionais; a do consumo colectivo e destruição ritualizada de bens como forma de cimentar crenças comuns e alianças entre os pequenos líderes regionais.
Comunidades da Idade do Ferro
No século Vº antes de Cristo, durante a denominada Idade do Ferro, foi este local escolhido de novo para a implantação dum povoado. Infelizmente, por falta de escavações extensas noutros povoados desta época e nesta região, não podemos compor um quadro suficientemente vivo das populações "indígenas" que habitavam na parte SW da bacia de Mirandela antes da ocupação romana, que aqui teve lugar na viragem da Era. Mas, precisamente mercê das extensas escavações do Crasto de Palheiros, podemos avançar que aqui se desenvolveu um povoado aberto, materializado em pequenas cabanas subcirculares ou alongadas, feitas de materiais perecíveis – madeira e terra argilosa – organizadas em núcleos habitacionais que se distribuíam por todo o monte, mas incidindo nas partes mais abrigadas do sítio. Durante cerca de 400-450 anos, quer dizer, até aos meados do séc. I depois de Cristo, manteve-se como um povoado aberto, sem muralhas. Duas linhas de muralhas, concêntricas, em xisto quartzítico (a rocha local) foram construídas nesta altura, de modo a transformar completamente a configuração arquitectónica e formal do povoado, que ganhou o aspecto pelo qual é entendido vulgarmente um "castro": um povoado da Idade do Ferro rodeado de uma, duas, 3 ou mais linhas de muralhas. Contudo, o modo de construir, e mesmo de "habitar", as unidades habitacionais intramuros manteve-se durante este curto período (de cerca de 50-70 anos?) em que o povoado é muralhado. Por volta do final do séc. I d.C. é abandonado. É provável que a desagregação política e social das comunidades indígenas, ou seja, o modelo de funcionamento não se coadunasse com a imposição das normas romanas. E este é o motivo que intuímos estar por detrás do abandono do Crasto no final do séc. I/inícios do IIº d.C.
Que sabemos da comunidade da Idade do Ferro do Crasto de Palheiros?
A comunidade da Idade do Ferro residente no Crasto de Palheiros era essencialmente uma comunidade de agricultores (que produziam trigo, cevada, milho-miúdo e favas) e pastores (que criavam gado ovino, caprino e bovino). A natureza das relações sociais, de intercâmbio ou outras, mantidas com outras comunidades do interior Transmontano ou do Litoral Atlântico é ainda uma incógnita. No entanto podemos afirmar que essas relações se manifestam nalguns objectos, cujas formas ou "decorações" acusam influências vindas do exterior.
A posse, por parte desta comunidade do Crasto, de inúmeros objectos de adorno (mais de uma centena de artefactos realizados maioritariamente em ligas de cobre – bronze) e de alguns recipientes cerâmicos de grande qualidade estética, indiciam quer uma assinalável importância do adorno pessoal (nos adornos) bem como do investimento em objectos que poderiam ser facilmente vendidos, trocados ou intercambiados (adornos, cerâmicas ou outros bens). Tal intercâmbio efectuar-se-ia porventura em situações social ou politicamente importantes e/ou instáveis.
A informação histórica proveniente do estudo das fontes clássicas diz-nos sobretudo o que os Romanos e Gregos percepcionaram da vida de algumas destas comunidades. Tais fontes indicam que as populações da Idade do Ferro possuíam uma forte mobilidade populacional (alicerçada na posse de bens móveis, tais como o gado) e um gosto exacerbado pela guerra e pelo valor militar. Porém, a documentação arqueológica obtida no Crasto só confirma de modo parcial aquelas descrições.
A comunidade de Palheiros apresenta-se-nos como uma comunidade não determinantemente guerreira, que alicerça a sua economia nas actividades agrícolas e pastoris ainda que possua uma grande quantidade de bens móveis (o gado, os adornos, os recipientes cerâmicos e muito provavelmente o vestuário). A terra arável, produtiva, seria, a nosso ver, dificilmente abandonada pela totalidade da população se tivermos como modelo aquele da "mobilidade". Aceitamos, porém, que parte da comunidade (talvez os homens) pudesse deslocar-se pontual ou sazonalmente, por motivos de inter-ajuda grupal de diversa índole, na qual se inclui a "actividade da guerra".
O choque social, político e cultural em geral, com o mundo Romano provocou com certeza fissuras estruturais na sociedade indígena. No entanto, as inúmeras descrições que romanos e gregos nos deixaram, num período de ocupação do território, podem estar já a dar conta da instabilidade política e social à qual estas populações da Idade do Ferro começavam a estar submetidas.
O Crasto de Palheiros, ou Fragada do Castro, é uma imponente crista quartzítica que foi sendo paulatinamente esculpida e construída pelas populações daquela região da Terra Quente transmontana entre o início do 3º milénio a.C. – Calcolítico – e o Presente.
Entre 2900 e 2300 antes de Cristo toda a crista, com 2,5 ha, foi transformada num grande monumento pétreo, pré-histórico.
No 5º século antes de Cristo, durante a denominada Idade do Ferro, foi escolhido de novo por populações indígenas para a fundação dum povoado. Este povoado durou cerca de 500 anos pois foi abandonado por volta do final do séc. I d.C., já durante a ocupação romana nesta região.
Dos tempos que se seguiram, somente percebemos a utilização do local como campo de cultivo (de cereais e de leguminosas em regime de sequeiro) e de recolha de lenha por parte das populações das aldeias de Varges, Palheiros e Monfebres. Em 1995 começou a ser "habitado" pelas equipas de Arqueologia da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, com objectivos de estudo e de musealização.
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